Como viver um relacionamento sem expetativas?

Olá!

Hoje trago para o blogue um tema sempre dos mais pedidos: Relacionamentos! Neste artigo exploro algo sobre o qual tenho refletido bastante nos últimos tempos, que é: Como posso relacionar-me com alguém intimamente sem expetativas em relação ao futuro?

Só esta pergunta poderia ser tema para um livro inteiro. Não vai ser fácil abordar todos os ângulos, pois também eu tenho dúvidas e muitas questões em relação a este tema em concreto, mas por isso mesmo escolhi escrever sobre ele, para que todos nós possamos olhar para os relacionamentos sobre novas perspetivas, e percebermos em que ponto estamos, e de que forma estamos a viver esta dimensão nas nossas vidas.

Primeiro quero destacar que um relacionamento íntimo, a dois, é sempre uma jornada de descoberta e de profunda transformação. Pela minha própria experiência de vida e pelo que acompanho nas pessoas à minha volta, sejam pacientes, amigos, familiares ou conhecidos, observo que as relações são um dos maiores patamares de crescimento na vida. É através do espelho dos relacionamentos que nos vemos, que nos (re)conhecemos, que podemos aceder mais profundamente às nossas sombras… E é através dessa dança a dois, que podemos viver autênticos processos de profunda transformação pessoal.

Vivamos esta questão de forma, mais ou menos feliz, mais ou menos dolorosa, mais ou menos desafiante, é sempre uma área de descoberta, de surpresa, de desafio, de encontros e desencontros… Tudo isto nos remete para uma coisa: conhecermo-nos melhor, evoluirmos, ganharmos consciência de quem somos e de quem é o outro.

Acredito que os relacionamentos, de qualquer espécie, são essenciais ao desenvolvimento do ser humano. No caso dos relacionamentos afetivos, pela profundidade e intimidade com que os vivemos, são do tipo de relacionamentos que mais nos podem marcar e contribuir para o nosso desenvolvimento.

De uma forma ou de outra, solteiros, casados, comprometidos, não comprometidos, amantes, amigos, cúmplices, separados, todos nós, independentemente dos nossos estados e rótulos pré-definidos, já tivemos certamente experiências marcantes nos relacionamentos íntimos. Todos nós já tivemos de fazer processos de profunda transformação mediante as experiências que já vivemos. Mesmo o que escolhem não ter relacionamento, lidam, ou lidaram, certamente, com o seu instinto e com a vontade natural do ser humano se aliar a outros para cumprir papéis da própria espécie.

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Como viver então um relacionamento sem expetativas?

Observo que a partir do instante em que começamos a sentir o enamoramento por alguém, e dizemos que estamos apaixonados, toda uma série de manifestações, vontades, sonhos e expetativas se começam a formar em nós, em relação àquela pessoa e àquele sentimento, muitas vezes arrebatador.

Os Rótulos

Se a relação acontecer, a primeira coisa que tendemos a fazer é criar rótulos, ou seja, dar um nome “à coisa”: namoro, flirt, curte, amigos coloridos, compromisso, amantes, namoro secreto, relação complicada, relação aberta, relação livre, etc, etc… já ouvi imensa coisa. A questão é que tendemos a rotular de alguma forma.

Não vejo nada de errado em rotular, nós gostamos de saber em que pé estamos em relação às coisas, e compreendo perfeitamente que traga alguma noção de segurança saber o que está a acontecer entre duas pessoas, e isso ser claro entre ambas.

A questão é que muitas vezes, logo de início, isso não fica claro e não é confortável para as duas ou para uma das pessoas envolvidas. Muitas vezes os pares não conversam entre si o suficiente, não falam dos assuntos do coração, não falam dos medos, não falam do que sentem, por medo de serem feridos ou rejeitados não comunicam, e a dita relação inicia-se então de forma menos consciente e promissora.

No momento inicial, muitas vezes o foco é somente viver a paixão, a atração, o enamoramento, onde tudo é lindo e perfeito, e nessa ilusão de um êxtase de “amor” essa relação começa a ser definida e rotulada, sem antes existir todo um maior conhecimento um de cada um, sem existir experiência, contacto, verdade. Certamente existem exceções a isto.

Convido-te a que reflitas agora por uns instantes sobre os teus relacionamentos até hoje, recorda o seu inicio:

Colocaram logo rótulos? Falaram o suficiente sobre todas as implicações de um envolvimento vosso antes de assumir o que quer que fosse? Iniciaram o envolvimento com abertura e autenticidade de diálogo?

Na minha perspetiva, rotular a relação é de tudo o menos importante, rotular algo que ainda se está a conhecer e a descobrir devia ser dos últimos passos de um envolvimento a dois. Sei que fugir aos rótulos sociais não é fácil, se te envolveres com alguém e contares a um amigo logo surgem as perguntas: “E namoram?”, “Quando se juntam?”… e mais tarde… “Então quando se casam?”, “Já está na altura de terem um filho”…. Etc…

Este tipo de perguntas, colocam muitas vezes pressão sobre nós. Assumirmos a forma como estamos a viver as coisas não é fácil, porque sentimos o julgamento e a pressão dos outros. Não há muito a fazer quanto a isto, só mesmo praticando, falarmos a nossa verdade e não nos deixarmos levar pelas opiniões dos outros. Opiniões essas que na maioria das vezes estão cheias de boas intenções, pois fazem parte do social, mas a forma como lidamos com isso é que pode ser alterada, para uma forma que sirva mais a nossa verdade e vontade.

Relações Anteriores

Geralmente este é um tema delicado do qual também não se fala no inicio de um relacionamento, e acabamos por levar imensas dimensões do passado para novas relações. Muitas vezes, só meses ou anos mais tarde, começamos a perceber todos os padrões tóxicos e limitativos que carregamos de relação em relação.

Com receio de vivermos o mesmo que em relações anteriores, omitimos e reprimimos isso dentro de nós, na esperança que aquela pessoa seja completamente diferente do parceiro anterior. Se isso não tiver resolvido em nós, é muito provável que iremos atrair alguém, que mais cedo ou mais tarde, irá espelhar esses temas para nós. Nesses momentos muitas vezes sofremos em silêncio ou então explodimos de raiva, reações que nos mostram o quão estamos a resistir a olhar esse desafio dentro de nós, pois só reconhecendo, aceitando e acolhendo podemos iniciar um processo de cura e de transmutação daquilo que são os padrões de dor que habitualmente ativamos nos relacionamentos.

Não importa quem provoca o quê, o importante aqui é perceber que sempre que essas dinâmicas surgem, é porque são sinais daquilo que temos de trabalhar internamente, para nos curarmos e para continuarmos a crescer e evoluir. Como diz um terapeuta meu conhecido: “Os relacionamentos são um espelho perfeito daquilo que em nós nos recusamos a ver e a tocar.”

Então, que possamos tornar os relacionamentos em espelhos mais conscientes daquilo que sabemos que podemos não gostar, mas que sabemos que vamos ver, como oportunidade para nos conhecermos melhor, para cuidarmos melhor de nós, para nos curarmos, para nos transformarmos… Resignificarmos da melhor forma os desafios que surgem, para que eles se tornem rampas de aprendizagem, e não rampas de dor e sofrimento.

O ideal é que entre relações façamos um processo de luto e introspeção profundas, termos o tempo necessário para aceitarmos o corte, para lambermos as nossas feridas, para voltarmos o olhar para dentro e ver as imensas oportunidades de cura e transformação que foram colocadas ao nosso dispor. O tempo suficiente, que é diferente para cada um de nós, para sentirmos que pelo menos algum trabalho de autoconsciência foi feito. Só podemos mudar um padrão tóxico e repetitivo com muito autocuidado e auto-trabalho, e cada um de nós pode explorar essas vias de diferentes maneiras.

Irão sempre surgir desafios nos nossos relacionamentos, mas será saudável e desejável que sejam sempre os mesmos desafios? Na minha visão, eu prefiro viver novos desafios, aprofundar mais, descobrir-me mais a cada momento, curar, abraçar e integrar novos processos.

Idealmente, levar o menos de bagagem possível de um relacionamento anterior para um novo. Evitar as comparações e não esconder situações importantes do passado que possam ainda manifestar-se no presente. E perceber que é muito difícil terminar um relacionamento, iniciando logo outro, com a ilusão de que o novo relacionamento não irá trazer os padrões, sombras, desafios e energias do relacionamento que acabámos de terminar. É preciso abrir espaço entre as coisas e lidarmos com a nossa própria solidão, pois só em espaços de vazio e poisio podem operar as forças da cura e da transformação.

Expetativas, Sonhos e Futuro

Este é talvez um dos maiores desafios a relações mais plenas e satisfatórias. Que são, todos os filmes que naturalmente se começam a desenhar nas nossas mentes relativamente ao romance, à pessoa, à relação. Arrisco dizer que é praticamente impossível não ter algum tipo de expetativa, o pensar no futuro, o idealizar a relação, o sonhar com o que sempre desejámos, o projetar no ser amado todos os sonhos e ideais de relacionamento, o imaginar a vida largos anos à frente com aquela pessoa, etc…

É supernatural e normal, todos nós, de uma forma ou de outra, experienciamos isso. O ser humano tem essa tendência de navegar continuamente entre o passado e as memórias, e as expetativas e sonhos do futuro que ainda não se concretizaram.

Sabemos já, que nesta era andamos todos a aprender a viver mais no Presente, a “viver no aqui e no agora”, como tanto ouvimos. E está tudo certo, é isso que eu própria procuro viver na minha vida a cada momento, o treino da presença não elimina nem anula o meu passado, mas também não me oculta os pensamentos futuristas da minha mente, nem destrói os sonhos e objetivos que possa ter para a minha vida a médio e longo prazo.

O viver no aqui e no agora é muito mais um reconhecimento de que somos – humanos – de que temos uma mente superativa, de que há sombra dentro de nós, de que também somos imensa luz… Estar Presente é observar tudo tal como é, não é eliminar o que sou, é observar, reconhecer e gerar em mim um processo de aceitação e de autocompaixão – isso é que é viver no presente. É eu observar que estou a ter expetativas, mas pelo treino na Presença, consigo de alguma forma lidar com isso, aceitar, distanciar-me, e não me identificar com o que estou a pensar. Se não me identificar com as expetativas, elas deixam de me “dominar” e a probabilidade de vir a ter de lidar com desilusões é muito menor.

Quando vivemos muito as expetativas é certo que em algum momento temos de lidar com as desilusões, que na verdade podem ser o melhor que nos acontece, porque elas são o regresso ao Agora, à realidade do Presente.

Reflete agora:

Que expetativas alimento hoje na minha relação? Ou já alimentei?

Que peso tem o pensar no futuro, nos projetos e nos meus sonhos, dentro do seio do meu relacionamento?

Que projeções emito na direção do meu companheir@?

Que expetativas alimento continuamente nos meus relacionamentos?

Consigo compreender o peso que as expetativas têm exercido sobre mim? Têm-me trazido mais alegria e felicidade, ou dor e desilusão?

Qual o verdadeiro papel das expetativas? Consigo distanciar-me delas?

Expetativa é esperar por algo, e esperar algo indica que é algo que ainda não aconteceu. Quando alimentamos expetativas geralmente exageramos na imagem mental que criamos. Acontece gerarmos em nós todo um romantismo idealizado, ou a situação perfeita, ou então pela negativa, também muitas vezes alimentamos os piores cenários que ainda não aconteceram.

E o que geram essas expetativas em nós?

Por um lado, dor, porque estamos sempre a pensar e a focarmo-nos em algo que ainda não chegou, que ainda não aconteceu. Por outro lado, criamos pressão também no outro, porque seja de forma, consciente ou inconsciente, o outro recebe essas nossas intenções e sente sobre si a pressão dessas expetativas. Muitas vezes o outro também sofre, pois provavelmente também alimentou as suas próprias expetativas.

E a queda das expetativas, começa a revelar-se muitas vezes quando ambos se apercebem que as expetativas um do outro são diferentes, e que a relação afinal está a seguir rumos não esperados nem desejados. Outras vezes, o cair na realidade começa só numa das partes, quando alguém se apercebe que tudo aquilo que fantasiou não é real, ou não é da forma esperada.

Agora podes perguntar-me: “Oh Cláudia, mas e os sonhos? Não sonhamos? Deixamos de idealizar? Deixamos de querer cocriar a relação ideal?”

A minha resposta, ainda em construção, é para já esta: Sim é saudável e devemos continuar a sonhar, a desejar, a ter objetivos de relacionamento, a querer construir a relação ideal, não a perfeita, mas a ideal para nós, a querermos e desejarmos alguém que nos ame e respeite e com quem possamos continuar a crescer. Sim devemos Sonhar, SIM!

Se acompanhas o meu trabalho sabes que trabalho muito com o Poder da Cocriação, essa é umas das ferramentas de vida que mais tenho desenvolvido comigo e que naturalmente transportei para o meu trabalho, para aquilo que levo até ti nas minhas consultas e formações. Eu acredito que temos o poder de cocriar o que mais desejamos para as nossas vidas, e que idealmente o devemos fazer super alinhados com a nossa verdade e vontade internas, e sempre pelo bem maior de todos, e desta forma materializamos os nossos sonhos mais genuínos.

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Neste tema dos relacionamentos eu própria sugiro um trabalho de cocriação do relacionamento ideal, com práticas de escrita e visualização criativa, trabalho com intenções e com os ciclos lunares. E está tudo certo, é válido se assim o desejarmos. A grande questão, e talvez o maior desafio seja: Como viver os nossos sonhos numa relação sem expetativas?

E aqui temos muito para explorar e para refletir. Sinto que para viver isto devemos estar comprometidos e focados em querer viver desta forma. Tem de existir uma forte intenção para eu compreender que é importante para mim viver um relacionamento muito mais pleno e livre de expetativas, mas que não deixo de sonhar e de ambicionar viver aquilo que concebo como relacionamento ideal. Podem existir aqui alguns valores essenciais a trabalharmos:

– Humildade – Termos a humildade de percebermos que não sabemos tudo, que somos seres humanos, que falhamos, que acertamos, que estamos continuamente a aprender. E sermos humildes o suficiente para percebermos que estar com alguém é todo um mundo novo, cheio de surpresas, cheio de terrenos diferentes e desconhecidos. Imagina o teu imenso mundo interior, em contacto com uma parte do imenso mundo interior do outro, é impossível prever o que vai dar, o que vai trazer, para onde nos vai encaminhar.

– Compaixão – Compaixão por mim e pelo outro, perceber que de certa forma todos temos as nossas próprias limitações, definidas pelas nossas histórias e pelas nossas vivências. Compreendermos que na verdade fazemos o que sabemos de melhor a cada momento, e que se fiz de certa forma, é porque naquele momento não sabia fazer diferente. Se nos lembrarmos da nossa humanidade, conseguimos mais facilmente gerar compaixão.

– Aceitação – A aceitação é uma das bases da liberdade e da rendição. Quando aceitamos verdadeiramente as coisas tal como são, somos capazes de nos rendermos perante as circunstâncias, somos capazes de nos desapegar dos resultados, somos capazes de sentir o sabor da verdadeira liberdade. Porque quando aceitamos não julgamos, e se não julgamos somos muito mais livres e oferecemos essa liberdade ao outro.

– Verdade – Comunicar o mais possível em verdade e em autenticidade com o outro, isto é fundamental para uma relação sem expetativas. Se eu comunicar sempre a verdade eu liberto-me a mim e ao outro automaticamente de quaisquer expetativas, pois se tudo for claro e límpido reduzimos a probabilidade de ficar a pensar naquilo que não é. Claro que para a verdade ter este poder transformador, ambos têm de ser capazes de aceitar a verdade de cada um.

Estas práticas são simples de compreender, mas nem sempre fáceis de aplicar. Eu sei-o. Mas também te digo que não é impossível. Se for essa a tua intenção, é um treino diário, brutal e transformador, que podes viver. Estar continuamente nesta observação de ti mesm@, procurando sempre honrar e respeitar o outro. Se essa base existir, tudo se torna mais fácil.

E regressando aos sonhos, sim teres um ideal e uma suposta meta que queres atingir, mas não colocares a tua felicidade nessa meta nem na responsabilidade de uma pessoa, ou seja, veres os resultados, veres os sucessos de cada dia, viveres com o teu/tua companheir@ plenamente o momento presente, sem ficarem presos ao lugar onde querem chegar ou estar. Desfrutarem um do outro a cada dia, reconhecendo os momentos desafiantes e lidando com eles, reconhecendo também os sucessos que vos conduzem à manifestação do vosso sonho de relação.

Repito: reconhecendo os sucessos que vos conduzem à manifestação do vosso sonho de relação. Isto é superimportante, a felicidade, a satisfação, a alegria, o Bliss, estão no dia a dia, estão no percurso, estão na jornada a dois, não estão no resultado, o resultado pode nem nunca manifestar-se da forma que inicialmente foi projetado. O que conta é olhares para trás e perceberes que cada momento fez sentido e que cada momento foi uma manifestação daquilo que desejavas. É a capacidade de trazer numa visão mais micro aos nossos grandes sonhos e para a experiência do dia a dia. E nos momentos chamados de menos bons, nos dias difíceis, nos desentendimentos, nesses momentos estarmos connosco mesmos e fazermos processos de cura, idealmente com o apoio e aceitação do noss@ companheir@.

Não é justo nem certo projetarmos os ideais de relacionamento numa pessoa. Já imaginaste o peso que isso causa em ambos? Apegarmo-nos dessa forma a alguém, a uma relação ou a um ideal, só pode trazer dor e sofrimento. Não te culpes por já o teres feito, cuida de ti e olha em frente, podemos escolher fazer diferente a cada momento. Eu própria já me apeguei a fantasias e projetei em pessoas ideais que na verdade foram pesos tremendos nas minhas relações. Isso não traz qualquer beneficio. Desenvolvi a compaixão de compreender que o fazemos por medo e insegurança, e esse é um sinal claro que temos de parar e cuidar de nós. O medo do abandono, da rejeição, da não-aceitação, podem ser curados, devemos dar-lhes essa atenção e abrir espaço a nós para a cura e para a renovação.

Alinhamento

Vejo o alinhamento entre duas pessoas como algo muito importante. Um pilar central de um relacionamento é o alinhamento entre ambos, um alinhamento de ideais e de valores essencialmente. Se existir um bom alinhamento nessas dimensões e a relação começar com base nessas raízes, então a probabilidade de sucesso é muito maior.

Alinharem-se ambos com as suas visões é fundamental para alimentarem o propósito maior desse relacionamento. Ao lado do alinhamento devem sempre caminhar a honra e o respeito pelo outro, e se isso existir verdadeiramente, só o amor pode prosperar nesse lugar. Quando existe honra e respeito profundo por alguém, até os momentos difíceis se tornam mais fáceis de atravessar.

Viver no Presente

Como já referi, viver no presente é realmente aquilo que de melhor pode contribuir para uma relação, porque observamos o passado em melhor aceitação, e observamos as expetativas que naturalmente se geram em nós, mas sem nos identificarmos com elas, e assim os rótulos perdem importância.

Acredito que viver o mais possível procurando desfrutar de uma relação no momento presente, ligados ao nosso sentir e ao nosso coração, nos conduz, momento a momento, a onde a relação tem de estar.

Uma vivência profunda, verdadeira e sentida do momento presente, levará naturalmente a que a relação se desenhe a si mesma, e um dia, sem darem conta, as coisas ficam mais definidas, a natural aproximação acontece, ou o afastamento, caso percebam que não estão alinhados também se dá de forma natural, e os rótulos podem finalmente começar a encaixar, mas sem pressão e sem exigência de parte a parte.. E tudo segue o seu fluxo natural, porque ambos escolhem viver inteiramente para cada momento, sentindo onde querem estar, sentindo o que querem expressar, sentindo o que querem trabalhar e construir em conjunto.

Mesmo vivendo desta forma “nem tudo serão rosas”. Acredito que surgem sempre desafios, e que mesmo muito alinhados, temos de ter em conta que são dois mundos interiores distintos que se encontram, e dentro de cada mundo existe mesmo um mundo, existe sempre uma série de coisas que a própria pessoa não conhece de si própria, quanto mais do outro.

Por outro lado, também acredito que as pessoas não se cruzam por acaso, há ligações invisíveis que nos ligam e que nos conduzem às experiencias que precisamos de viver para continuar o nosso processo de evolução.

Acredito também que atraímos sempre as pessoas que ressoam com o nosso grau de desenvolvimento e consciência, sempre. Responsabilizar o outro pela dor que “me causou” não está certo, se aquela dor se manifestou é porque algo em mim alimentava as sementes daquela dor, e aquela pessoa surge para eu despertar para essa realidade. Sei que este conceito não é sempre fácil de aceitar, mas com a minha experiência e observação é aquilo que tenho validado. Não tem de ser a verdade para ti, só estou a abrir o leque das possibilidades com visões diferentes, mas todas as visões são válidas.

O meu propósito é puder de certa forma mostrar outros possíveis caminhos e formas de viver as coisas, formas que sejam, na minha visão, mais plenas e satisfatórias para as nossas vidas. Eu acredito que é possível vivermos sim relações mais plenas e livres de expetativas. Essa liberdade pode trazer uma dimensão mais mágica e cúmplice a um casal, porque remete-os para o Agora, e logo, essa disponibilidade torna a experiência a dois muito mais intensa e enriquecedora.

Cuidar de Mim

O trabalho de casal para um contexto de relacionamento mais consciente parte essencialmente do trabalho individual de cada um. É o nosso cuidado connosco mesmos, os processos com as nossas sombras, com os nossos desafios, com os nossos traumas, que nos leva à verdadeira transformação. E só com essa vontade e ação sobre mim mesm@, posso começar a estar disponível para a vivência de relacionamentos mais conscientes.

O autocuidado é fundamental porque o relacionamento mais importante das nossas vidas é aquele que vivemos connosco mesmos. Nunca vamos viver com alguém tanto tempo quanto vivemos connosco. Portanto, começa por te amar e por cuidar de ti, e quanto mais te amares e respeitares, mais um ser semelhante irás encontrar. E tudo o que for sombra no outro lembra-te que são oportunidades de reconheceres e integrares a sombra em ti.

Eu própria vivi, no passado, relacionamentos extremamente desafiantes que me levaram a processos de profunda cura e transformação. Agradeço cada desafio, pois trouxeram-me a oportunidade de me conhecer melhor e de curar feridas que tinha reprimido quase toda a vida.

De forma consciente fiz um luto profundo das minhas relações anteriores, e não quis começar algo novo sem saber que um renascimento tinha ocorrido em mim. Claro que sei que tenho ainda muita coisa para trabalhar nesta área, muitas delas, talvez nem saiba quais são, mas uma coisa eu sei, os padrões mudam quando nos permitimos curar e dar um salto na nossa visão do que é um relacionamento. E os novos desafios que possamos encontrar, serão noutro patamar de consciência e serão aqueles que precisamos para continuar a crescer.

Mergulha fundo em ti, aceita tocar as feridas para as curares, cuida de ti, ama-te e respeita-te cada vez mais, e verás que isso será um contributo superpositivo e significativo, seja para a tua relação atual, seja para relações futuras.

Desejo que todos nós possamos encontrar formas cada vez mais autênticas e livres de Amar. Que possamos, se for essa a nossa intenção, viver o relacionamento íntimo sem apego ao passado, a rótulos e a expetativas, aproveitando o fluxo do momento presente e deixando que esse fluxo nos leve onde temos de estar.

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10 Sugestões para Vivermos Relacionamentos Ancorados no Presente:

  1. Comunicar abertamente com o par
  2. Dizer Não aos rótulos
  3. Fazer um luto consciente e profundo de relacionamentos anteriores
  4. Ter o passado arrumado e integrado, o mais possível, dentro de nós
  5. Viver sem apego às expetativas
  6. Viver um Alinhamento de valores, ideais, honra e respeito com o par
  7. Viver e experienciar a relação no Momento Presente
  8. Amarmos e respeitarmos a nós mesm@s é essencial
  9. Não deixar de Sonhar – Coloca os pés na Terra, mas mantém o olhar nas Estrelas
  10. Fluir com o que É a cada momento

 

Dedico este texto e reflexão a uma grande amiga que me inspirou e me acendeu luzes no caminho relativamente a este tema, a ti Susana um enorme obrigada. E a outras amigas de coração que comigo têm debatido também estes temas, mostrando-me cada uma, diferentes ângulos e perspetivas, a vocês: Linda, Patrícia, Joana e Vitória, grata pelo vosso carinho, cuidado e amor nos meus processos de cura e também pela inspiração com que me levam a aprofundar esta temática diariamente.

Um último e muito especial agradecimento ao Sam. Que me está a trazer a oportunidade de eu conhecer a nova Mulher que hoje Sou, ainda com tantas dúvidas e desafios internos, mas também com a capacidade de acolher a imensa Presença, Vontade e Amor que brotam de dentro de mim.

Um sinal de reconhecimento a todas as fantásticas e corajosas Mulheres que já viveram temáticas de relacionamento altamente desafiantes, mas que souberam encontrar sempre formas de superação e de encontro consigo mesmas. Nunca se esqueçam que são lindas e maravilhosas e que merecem um relacionamento à vossa altura, alguém que vos ame e respeite profundamente, trabalhem nisso em vocês e esse companheiro de vida chegará.

E um enorme bem-haja, aos cada vez mais Homens maravilhosos que renascem e que despertam para o seu próprio feminino, pois sabem que só assim podem acolher verdadeiramente a dimensão de uma mulher autêntica nas suas vidas.

Bênçãos de imenso Amor para todos Nós, só o Amor cura e acredito no efeito altamente inspirador e transformador para a sociedade, que pode vir de relacionamentos cada dia mais conscientes e luminosos.

Com Amor,

Cláudia

 

Espero que este artigo te tenha ajudado de alguma forma. Se me quiseres contactar podes fazê-lo para o email: claudiamachado@claudiamachado.com

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2 opiniões sobre “Como viver um relacionamento sem expetativas?”

  1. Não criar expectativas nos deixa menos ansiosos pelo que está por vir, não é fácil, principalmente para quem tem ou tinha a pretensão de controle de si e dos outros. Com o passar dos anos enxergamos que esta é uma escolha, viver o hoje e saborear cada momento como único. Expectativas nos aprisionam, viver o presente nos liberta. Obrigada pelo artigo que nos fez refletir sobre estas questões.

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